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Impressão e qualidade

Calibração de fluxo e pressure advance: o que são e quando fazer

Fluxo controla quanto plástico sai; pressure advance controla quando ele sai. Veja o que cada calibração corrige, como testar sem complicar e quando vale a pena refazer.

Equipe 3D Control 30 set 2026 7 min de leitura

Duas calibrações aparecem em todo fatiador moderno e confundem muita gente: fluxo (flow rate, flow ratio, multiplicador de extrusão) e pressure advance (que a Prusa chamava de linear advance e a Bambu Lab chama de flow dynamics). Elas não são a mesma coisa e não substituem uma à outra. Entender a diferença evita que você fique mexendo no número errado tentando corrigir um defeito que tem outra causa.

Fluxo: quanto plástico sai

O fluxo é um multiplicador sobre a quantidade de filamento que o fatiador calcula para cada linha. A wiki da Bambu Lab resume bem: fluxo alto demais causa sobre-extrusão (bolinhas, linhas que se sobrepõem demais, camadas grossas); fluxo baixo demais causa subextrusão (vãos entre as linhas, preenchimento fraco, peça que quebra fácil).

Cada material tem viscosidade diferente, então o fluxo ideal muda de filamento para filamento, e às vezes de marca para marca do mesmo tipo. Por isso os perfis de filamento guardam esse valor.

Teste básico de fluxo

  1. Use o teste de fluxo do seu fatiador (Bambu Studio, OrcaSlicer e outros têm um pronto). Ele imprime vários blocos pequenos, cada um com um valor de fluxo diferente.
  2. Olhe a superfície de cima de cada bloco. O melhor é o mais liso, sem vãos entre as linhas e sem cristas ou excesso nas bordas.
  3. Salve o valor no perfil daquele filamento. Na Bambu Studio, o teste manual tem uma etapa grossa, com blocos de 80% a 120% do valor do perfil em passos de 5%, e uma etapa fina para refinar.

Se o seu fatiador não tem teste pronto, o método clássico é imprimir um cubo com parede única e medir a espessura da parede com paquímetro, comparando com a largura de linha configurada. Funciona, mas depende de medir bem.

Pressure advance: quando o plástico sai

O plástico derretido dentro do bico se comporta como pasta de dente no tubo: leva um instante para a pressão subir quando o cabeçote acelera e continua saindo um pouco quando ele freia. A documentação da Bambu Lab descreve o efeito: na aceleração, falta material (linhas finas ou falhas); na desaceleração, sobra (bolhas nos cantos e fios). Isso piora quanto maior a velocidade.

O pressure advance compensa esse atraso. O firmware empurra um pouco mais de filamento antes de acelerar e alivia a pressão antes de frear. O valor que controla isso é chamado de K. Segundo a Bambu, o K é específico de cada combinação impressora e filamento: materiais que comprimem mais e extrusoras com mais folga precisam de mais compensação.

FluxoPressure advance
CorrigeQuantidade total de materialTempo de resposta da pressão no bico
Sintoma de erradoPeça toda com excesso ou faltaCantos com bolha, início e fim de linha irregulares
Onde aparece maisSuperfície de cima, paredesCantos vivos, trocas de velocidade
Valor típicoPercentual perto de 100% (ou razão perto de 1)Número pequeno (K), varia por material

Teste básico de pressure advance

Os testes mais comuns imprimem várias linhas ou um padrão em "V", cada trecho com um K diferente. Você escolhe o trecho onde a linha fica mais uniforme na transição entre lento e rápido e os cantos ficam mais limpos. O guia da Prusa para linear advance mostrava exatamente isso: linhas com trechos lentos e rápidos, e o valor certo é o da linha mais constante. Os exemplos do próprio guia dão ideia de como o valor muda por material: PLA a 215 °C ficou melhor com K 0,05, ABS a 255 °C com 0,04 e PETG a 240 °C com 0,08, sempre com bico de latão de 0,4 mm naquela impressora. Não copie esses números para a sua máquina; eles só mostram que cada material pede um valor diferente.

Dica: faça o pressure advance antes do fluxo. A própria Bambu sugere considerar a calibração de fluxo depois de ter feito a de flow dynamics, porque bolhas nos cantos podem parecer excesso de fluxo quando na verdade são pressão mal compensada.

Quando refazer as calibrações

Você não precisa calibrar a cada impressão. A Bambu Lab lista os momentos em que vale refazer, e eles servem para qualquer impressora:

  • filamento novo, de outra marca ou outra linha;
  • bico trocado (tolerância de fabricação muda o resultado);
  • bico gasto, que aumenta o atrito e muda o fluxo;
  • mudança de temperatura de impressão ou de velocidade volumétrica máxima no perfil.

E situações em que o resultado não é confiável: filamento úmido (a calibração não vai valer para o rolo seco), mesa sem aderência (as linhas de teste não assentam), bico entupido ou materiais muito macios como TPU. Seque o rolo antes (como guardar filamento e evitar umidade) e garanta uma primeira camada boa antes de testar.

Atenção: a Bambu Lab relata variação de cerca de 10% entre uma calibração automática e outra do mesmo filamento. Não persiga o número exato. Se a peça sai boa, o valor está bom.

Como os fatiadores tratam isso

A ideia é a mesma em todo lugar, mas nome e lugar mudam:

  • Bambu Studio: "Flow Dynamics" (pressure advance) e "Flow Rate". Algumas impressoras da marca fazem a calibração de flow dynamics automática, por lidar ou sensor no cabeçote; em outras só existe o modo manual. O resultado fica salvo na impressora.
  • OrcaSlicer: menu de calibração com testes de temperatura, fluxo, pressure advance, retração e velocidade volumétrica. Os valores vão para o perfil do filamento.
  • PrusaSlicer: nas impressoras Prusa mais novas, o pressure advance vem ajustado nos perfis oficiais de filamento. Linear advance era o nome na geração MK3 e anteriores.
  • Firmware Klipper: o pressure advance é configurado no firmware (ou por comando no G-code) e a documentação do Klipper tem um procedimento próprio de ajuste com uma torre de teste.

Na prática: use o perfil oficial quando o filamento for da marca da impressora; calibre quando trocar de marca. Guarde os valores num perfil com nome claro ("PLA Marca X Preto - 0,4") para não recalibrar o mesmo rolo duas vezes.

Vale o tempo para quem vende?

Vale, e a conta é simples. Os dois testes levam menos de uma hora e alguns gramas de filamento. Um lote de 20 peças com cantos borrados ou paredes fracas pode voltar como devolução ou avaliação ruim. Filamento mal calibrado também gasta mais material e aumenta falhas, o que aparece direto no custo por peça (veja configurações do fatiador que mudam tempo e custo). Calibre uma vez por filamento, salve o perfil e passe a produzir sem surpresas. Se você está sofrendo com fios mesmo depois disso, o próximo passo é resolver o stringing.

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