Decida o que entra no lote e o que é individual
Quando várias peças saem da mesma placa, o custo unitário não é o custo da impressão inteira repetido para cada unidade. Primeiro, registre os recursos consumidos pela execução completa: tempo estimado ou medido da placa, gramas totais de filamento, energia e trabalho realizado uma vez para aquele conjunto. Depois, divida esses custos entre as peças aproveitáveis. Embalagem individual, etiqueta por unidade e acabamento que varia de peça para peça entram separadamente.
Essa divisão funciona melhor quando as unidades são iguais e recebem o mesmo tratamento. Se a placa mistura modelos, tamanhos ou alturas muito diferentes, repartir tudo em partes iguais pode fazer a peça pequena subsidiar a grande. Nesse caso, escolha e documente um critério por recurso: material conforme os gramas atribuídos a cada modelo no fatiador, trabalho conforme as etapas executadas e tempo de máquina por uma regra comercial consistente. O importante é não apresentar uma estimativa arbitrária como medição exata.
Calcule uma placa com quatro unidades
Considere estes valores hipotéticos: quatro unidades idênticas e vendáveis ocupam uma placa. O fatiamento da placa inteira indica 8 horas e 120 g de filamento, incluindo suportes e demais estruturas consumidas. O filamento custa R$ 100 por kg, o custo atribuído à máquina é R$ 3 por hora e a energia estimada é R$ 0,75 por hora. Retirar as quatro peças e limpar a placa exige 20 minutos de trabalho, valorado em R$ 30 por hora. Cada unidade recebe uma embalagem de R$ 1,80.
O filamento do lote custa 120 g × R$ 0,10 por grama = R$ 12. A máquina custa 8 h × R$ 3 = R$ 24; a energia, 8 h × R$ 0,75 = R$ 6; e o trabalho compartilhado, um terço de hora × R$ 30 = R$ 10. O total compartilhado é R$ 52. Dividido pelas quatro peças, resulta em R$ 13 por unidade. Somando R$ 1,80 de embalagem individual, o custo calculado fica em R$ 14,80 por peça, antes de margem e outros custos comerciais.
Outra forma de conferir: cada peça recebe, neste exemplo de unidades iguais, 30 g e 2 horas como parcelas contábeis do lote. Isso não significa que a impressora levou apenas 2 horas para produzir uma peça isolada, nem que operou por 32 horas. Ela ficou ocupada por 8 horas uma única vez. Ao montar um orçamento, use o tempo da placa uma vez e rateie seu custo; não lance 8 horas em cada uma das quatro linhas.
Separe os custos antes de formar o preço
Uma planilha ou cadastro organizado ajuda a enxergar o que já foi incluído. Se a tarifa de R$ 3 por hora da máquina já cobrir eletricidade, por exemplo, somar energia novamente duplicaria esse componente. O mesmo vale para suportes: se os 120 g do fatiador já incluem estruturas auxiliares, não acrescente outra estimativa de suportes sem motivo. Confira quais premissas geraram a previsão de tempo e material; as configurações do fatiador que afetam tempo e custo podem alterar ambos os números.
Não confunda custo com preço de venda. Taxas de pagamento, despesas fixas, margem desejada e eventual política para perdas precisam de critérios próprios, sem transformar o custo da placa em quatro cobranças integrais de máquina. Para estruturar essa etapa depois do rateio, veja como calcular quanto cobrar por uma impressão 3D. Se houver dúvida sobre tributos ou obrigações da atividade, consulte um contador; o rateio operacional não substitui orientação contábil.
Ajuste o rateio quando a placa não sai perfeita
A conta de R$ 14,80 pressupõe quatro unidades aproveitáveis. Se uma peça falhar depois que a placa consumiu os recursos previstos, não divida automaticamente por quatro ao avaliar o resultado daquela execução. Com os mesmos R$ 52 compartilhados e apenas três peças vendáveis, a parcela compartilhada seria R$ 17,33 por peça, arredondada aos centavos; com R$ 1,80 de embalagem por unidade vendida, cerca de R$ 19,13. A embalagem da peça descartada não deve aparecer se ela não foi usada. Registre a perda para distinguir uma falha pontual de um índice de perdas previsto na precificação.
Em lotes mistos, anote quantas unidades aproveitáveis há de cada modelo e evite usar a contagem total como único divisor. Se uma peça exige lixamento individual ou caixa maior, atribua esse adicional somente a ela. Para o tempo compartilhado que não pode ser medido por modelo, escolha um critério explícito e revise-o quando a composição da placa mudar. Essa disciplina permite comparar lotes sem esconder diferenças sob uma média conveniente.
Confira o orçamento antes de vender
- Registre quantidade planejada, quantidade aproveitável e modelos presentes na placa.
- Use o tempo e os gramas da placa completa uma única vez; confira se suportes e energia já estão incluídos em outros valores.
- Divida os custos compartilhados pelo critério escolhido e registre separadamente embalagem e acabamento por peça.
- Compare a estimativa com o tempo, material e perdas observados após imprimir; ajuste os próximos orçamentos se houver diferença recorrente.
Antes de enviar o preço ao cliente, faça uma última verificação simples: some novamente os custos unitários de todas as peças vendáveis e compare com o custo compartilhado do lote mais os adicionais individuais efetivamente aplicados. No exemplo sem perdas, 4 × R$ 14,80 = R$ 59,20: são R$ 52 da placa e R$ 7,20 das quatro embalagens. Se a soma não fechar, procure um custo omitido, duplicado ou dividido pela quantidade errada antes de definir a margem.
Faça essa gestão sem planilha
No 3D Control cada pedido já sai com custo, preço e lucro, a fila de impressão fica organizada e o estoque de filamento se atualiza sozinho.