Decida o que entra como refugo
Para quem vende peças impressas, o filamento de uma tentativa malsucedida é custo de produção, não material entregue ao cliente. A decisão prática é separar esse consumo do peso da peça aprovada antes de formar o preço. Inclua como refugo a impressão interrompida, a peça descartada por defeito e a tentativa que precisou ser refeita. Uma peça aprovada após limpeza ou acabamento continua sendo uma peça vendável: não lance seu peso inteiro como perda.
Defina também o limite do registro. Suportes e brim usados normalmente para obter uma peça aprovada podem ficar no consumo padrão daquele produto; se já estão no peso usado no orçamento, não os acrescente novamente como refugo. Já o material gasto em uma tentativa descartada entra na conta das perdas. Essa separação evita misturar consumo previsível de fabricação com falhas e permite entender por que um produto custa mais que outro.
Meça perdas por produto e por período
Escolha um período com pedidos concluídos e anote os dados por produto ou variante que compartilhe material, orientação e parâmetros de impressão. Se uma mudança de geometria ou de processo alterar as falhas, comece uma nova série: a média antiga pode não representar o próximo pedido. Registre a massa efetivamente consumida em cada tentativa falha, mesmo quando a impressão parou antes do fim. Pesar a sobra descartada é mais fiel do que atribuir a ela o peso previsto para uma peça completa.
- Some os gramas usados nas peças aprovadas, incluindo apenas os consumíveis que você definiu como parte do peso padrão.
- Some, à parte, os gramas consumidos nas tentativas descartadas do mesmo produto.
- Conte tentativas concluídas com aprovação e tentativas malsucedidas; documente interrupções que gastaram material.
- Calcule perda em gramas ÷ gramas das peças aprovadas para obter o percentual aplicável ao peso padrão.
- Calcule tentativas aprovadas ÷ total de tentativas para acompanhar a taxa de sucesso.
As duas taxas respondem a perguntas diferentes: uma corrige o custo do material entregue; a outra revela a frequência de repetição do trabalho. Se você ainda está ajustando o processo, registre o resultado de cada novo lote antes de consolidar uma média para orçamentos.
Aplique o percentual ao pedido sem duplicar custo
Exemplo hipotético: em um período, você entregou 40 unidades aprovadas de um produto, com 50 g de material por unidade, totalizando 2.000 g. Houve quatro tentativas malsucedidas que consumiram, juntas, 200 g. A perda relativa ao material das peças aprovadas é 200 ÷ 2.000 = 10%. Se o filamento custa hipoteticamente R$ 0,10 por grama, as peças aprovadas consumiram R$ 200 e o refugo, R$ 20. O custo total de material foi R$ 220, ou R$ 5,50 por unidade aprovada.
Para orçar um novo pedido desse mesmo produto nas mesmas condições, use 50 g × 1,10 = 55 g equivalentes de filamento por unidade, ou R$ 5,50 ao preço por grama do exemplo. Esses 5 g extras são uma provisão baseada no histórico, não uma afirmação de que cada peça contém mais filamento. Confira seu custo unitário com o método de cálculo do custo do filamento por grama.
Não some os R$ 20 de perdas novamente se a planilha já parte dos 2.200 g efetivamente consumidos no período. Escolha uma base: custo real total dividido pelas unidades aprovadas para analisar o passado, ou peso padrão acrescido do percentual histórico para orçar o futuro. Aplicar ambos ao mesmo pedido cobra o mesmo refugo duas vezes.
Compare a taxa de sucesso antes de reajustar
No exemplo hipotético, foram 40 tentativas aprovadas em 44 tentativas: taxa de sucesso de 40 ÷ 44, cerca de 90,9%. Já os 10% de perda em gramas usam outra base, os 2.000 g das peças aprovadas. Não trate essas porcentagens como equivalentes. Uma falha logo no começo pode reduzir pouco o gasto de filamento e ainda exigir nova preparação; uma falha quase no fim pesa mais na conta de material.
Compare produtos pelo período, tipo de material e condições semelhantes. Se a taxa de sucesso cair enquanto a perda em gramas sobe, investigar aderência, orientação e parâmetros pode valer mais que simplesmente elevar o preço. Consulte estas medidas para evitar falhas na impressão 3D e registre o que mudou após cada ajuste. O percentual de refugo cobre material; tempo de máquina, mão de obra e retrabalho exigem critérios próprios. Também não confunda essa provisão de custo com uma orientação sobre tributos: quando o enquadramento fiscal afetar seu preço, converse com seu contador.
Verifique a provisão a cada ciclo
Ao fechar o próximo período, compare os gramas de refugo estimados para os pedidos com os gramas realmente consumidos em falhas. Se o previsto ficar sistematicamente abaixo do real, revise a amostra e o processo antes de atualizar o percentual; se ficar acima, não mantenha uma taxa antiga por inércia. Registre a data da revisão e a versão do produto, para saber qual histórico sustentou cada orçamento.
Um pedido isolado pode ter nenhuma falha ou várias, por isso não faz sentido reajustar o preço a cada tentativa. Use uma base de observações compatíveis e trate mudanças importantes, como novo filamento ou outra orientação, separadamente. Assim, o adicional deixa de ser um chute: ele pode ser explicado, auditado e reduzido quando a operação melhorar.
Faça essa gestão sem planilha
No 3D Control cada pedido já sai com custo, preço e lucro, a fila de impressão fica organizada e o estoque de filamento se atualiza sozinho.