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Preço e custos

Perdas e refugo no preço da peça impressa em 3D

Uma tentativa que falha consome material, mas não vira peça vendável. Veja como transformar esse consumo em um percentual verificável no preço, sem duplicar custos.

Equipe 3D Control 10 out 2026 5 min de leitura

Decida o que entra como refugo

Para quem vende peças impressas, o filamento de uma tentativa malsucedida é custo de produção, não material entregue ao cliente. A decisão prática é separar esse consumo do peso da peça aprovada antes de formar o preço. Inclua como refugo a impressão interrompida, a peça descartada por defeito e a tentativa que precisou ser refeita. Uma peça aprovada após limpeza ou acabamento continua sendo uma peça vendável: não lance seu peso inteiro como perda.

Defina também o limite do registro. Suportes e brim usados normalmente para obter uma peça aprovada podem ficar no consumo padrão daquele produto; se já estão no peso usado no orçamento, não os acrescente novamente como refugo. Já o material gasto em uma tentativa descartada entra na conta das perdas. Essa separação evita misturar consumo previsível de fabricação com falhas e permite entender por que um produto custa mais que outro.

Meça perdas por produto e por período

Escolha um período com pedidos concluídos e anote os dados por produto ou variante que compartilhe material, orientação e parâmetros de impressão. Se uma mudança de geometria ou de processo alterar as falhas, comece uma nova série: a média antiga pode não representar o próximo pedido. Registre a massa efetivamente consumida em cada tentativa falha, mesmo quando a impressão parou antes do fim. Pesar a sobra descartada é mais fiel do que atribuir a ela o peso previsto para uma peça completa.

  1. Some os gramas usados nas peças aprovadas, incluindo apenas os consumíveis que você definiu como parte do peso padrão.
  2. Some, à parte, os gramas consumidos nas tentativas descartadas do mesmo produto.
  3. Conte tentativas concluídas com aprovação e tentativas malsucedidas; documente interrupções que gastaram material.
  4. Calcule perda em gramas ÷ gramas das peças aprovadas para obter o percentual aplicável ao peso padrão.
  5. Calcule tentativas aprovadas ÷ total de tentativas para acompanhar a taxa de sucesso.

As duas taxas respondem a perguntas diferentes: uma corrige o custo do material entregue; a outra revela a frequência de repetição do trabalho. Se você ainda está ajustando o processo, registre o resultado de cada novo lote antes de consolidar uma média para orçamentos.

Aplique o percentual ao pedido sem duplicar custo

Exemplo hipotético: em um período, você entregou 40 unidades aprovadas de um produto, com 50 g de material por unidade, totalizando 2.000 g. Houve quatro tentativas malsucedidas que consumiram, juntas, 200 g. A perda relativa ao material das peças aprovadas é 200 ÷ 2.000 = 10%. Se o filamento custa hipoteticamente R$ 0,10 por grama, as peças aprovadas consumiram R$ 200 e o refugo, R$ 20. O custo total de material foi R$ 220, ou R$ 5,50 por unidade aprovada.

Para orçar um novo pedido desse mesmo produto nas mesmas condições, use 50 g × 1,10 = 55 g equivalentes de filamento por unidade, ou R$ 5,50 ao preço por grama do exemplo. Esses 5 g extras são uma provisão baseada no histórico, não uma afirmação de que cada peça contém mais filamento. Confira seu custo unitário com o método de cálculo do custo do filamento por grama.

Não some os R$ 20 de perdas novamente se a planilha já parte dos 2.200 g efetivamente consumidos no período. Escolha uma base: custo real total dividido pelas unidades aprovadas para analisar o passado, ou peso padrão acrescido do percentual histórico para orçar o futuro. Aplicar ambos ao mesmo pedido cobra o mesmo refugo duas vezes.

Compare a taxa de sucesso antes de reajustar

No exemplo hipotético, foram 40 tentativas aprovadas em 44 tentativas: taxa de sucesso de 40 ÷ 44, cerca de 90,9%. Já os 10% de perda em gramas usam outra base, os 2.000 g das peças aprovadas. Não trate essas porcentagens como equivalentes. Uma falha logo no começo pode reduzir pouco o gasto de filamento e ainda exigir nova preparação; uma falha quase no fim pesa mais na conta de material.

Compare produtos pelo período, tipo de material e condições semelhantes. Se a taxa de sucesso cair enquanto a perda em gramas sobe, investigar aderência, orientação e parâmetros pode valer mais que simplesmente elevar o preço. Consulte estas medidas para evitar falhas na impressão 3D e registre o que mudou após cada ajuste. O percentual de refugo cobre material; tempo de máquina, mão de obra e retrabalho exigem critérios próprios. Também não confunda essa provisão de custo com uma orientação sobre tributos: quando o enquadramento fiscal afetar seu preço, converse com seu contador.

Verifique a provisão a cada ciclo

Ao fechar o próximo período, compare os gramas de refugo estimados para os pedidos com os gramas realmente consumidos em falhas. Se o previsto ficar sistematicamente abaixo do real, revise a amostra e o processo antes de atualizar o percentual; se ficar acima, não mantenha uma taxa antiga por inércia. Registre a data da revisão e a versão do produto, para saber qual histórico sustentou cada orçamento.

Um pedido isolado pode ter nenhuma falha ou várias, por isso não faz sentido reajustar o preço a cada tentativa. Use uma base de observações compatíveis e trate mudanças importantes, como novo filamento ou outra orientação, separadamente. Assim, o adicional deixa de ser um chute: ele pode ser explicado, auditado e reduzido quando a operação melhorar.

Faça essa gestão sem planilha

No 3D Control cada pedido já sai com custo, preço e lucro, a fila de impressão fica organizada e o estoque de filamento se atualiza sozinho.

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