Um lojista viu suas peças no Instagram e quer 50 unidades para revender na loja dele. Ótimo pedido, mas vem a pergunta: "qual o preço de atacado?". Se você responder "tiro 30% do varejo" sem fazer conta, pode fechar a venda maior do mês e descobrir depois que ela pagou pouco mais que o filamento. Tabela de atacado se monta de baixo para cima, a partir do custo do lote, e não de cima para baixo, a partir do preço de varejo.
Por que o atacado tem outra conta
Vender 50 peças iguais para um lojista não é vender 50 vezes para o consumidor final. Algumas coisas mudam a seu favor:
- Sem taxa de marketplace. A venda é direta, então a comissão do canal sai da conta.
- Placa cheia. Dá para imprimir várias unidades por vez, e o tempo de preparar, fatiar, tirar da mesa e dar acabamento se divide por mais peças.
- Embalagem coletiva. Uma caixa com 50 peças custa bem menos por unidade que 50 embalagens individuais.
- Um atendimento, um envio, uma nota. Menos mensagens, menos etiquetas.
E outras mudam contra: o lojista precisa revender com lucro, então o seu preço tem que caber no preço final que ele vai praticar, e ele costuma pedir prazo de pagamento e reposição.
Passo 1: calcule o custo por unidade no lote
Exemplo com um vaso pequeno que você vende no varejo. Os números são ilustrativos; use os seus.
| Item de custo | Varejo (1 unidade) | Atacado (lote de 50) |
|---|---|---|
| Filamento (40 g com perda) | R$ 4,80 | R$ 4,80 |
| Energia e desgaste da impressora | R$ 1,70 | R$ 1,70 |
| Mão de obra (preparo, retirada, acabamento, atendimento) | R$ 3,00 | R$ 1,00 |
| Embalagem | R$ 2,50 | R$ 0,50 |
| Custo por unidade | R$ 12,00 | R$ 8,00 |
Filamento e hora de máquina não mudam: a peça gasta o mesmo plástico e o mesmo tempo de impressão. O que cai é o que se divide pelo lote. Se ainda não tem esses números, a calculadora de custo ajuda, e o artigo quanto cobrar pela hora de trabalho explica como pôr preço na mão de obra.
Passo 2: ache o piso e o teto do preço
O piso é o menor preço que ainda dá a margem mínima que você aceita. Com imposto de 6% sobre a venda (valor hipotético; peça o seu ao contador) e margem mínima de 35%:
Piso = custo ÷ (1 − imposto − margem mínima) = R$ 8,00 ÷ (1 − 0,06 − 0,35) = R$ 8,00 ÷ 0,59 = R$ 13,56
O teto é o maior preço que o lojista consegue pagar e ainda revender com lucro. Pergunte a ele com que markup trabalha. Se ele revende com markup 2 e o preço final na prateleira vai ser R$ 39,90, ele pode pagar no máximo:
Teto = preço final ÷ markup do lojista = R$ 39,90 ÷ 2 = R$ 19,95
A sua tabela precisa ficar entre R$ 13,56 e R$ 19,95. Se o piso ficar acima do teto, essa peça não serve para atacado nesse preço final: reduza custo, mude o produto ou não aceite. A diferença entre markup e margem está explicada em margem de lucro ou markup.
Passo 3: monte as faixas de volume
Com piso e teto definidos, distribua as faixas. O desconto cresce com a quantidade, mas nenhuma faixa encosta no piso:
| Quantidade por pedido | Preço por unidade | Imposto (6%) | Lucro por unidade | Margem |
|---|---|---|---|---|
| 10 a 29 | R$ 19,90 | R$ 1,19 | R$ 10,71 | 53,8% |
| 30 a 59 | R$ 17,90 | R$ 1,07 | R$ 8,83 | 49,3% |
| 60 ou mais | R$ 15,90 | R$ 0,95 | R$ 6,95 | 43,7% |
Compare com o varejo. Vendendo a R$ 39,90 num marketplace com taxa hipotética de 15%, mais os 6% de imposto e o custo de R$ 12,00, sobram R$ 19,52 por unidade. No pedido de 60 unidades a R$ 15,90, o lucro total é de R$ 416,76, o que no varejo exigiria umas 21 vendas, cada uma com atendimento, embalagem e etiqueta próprios. Lucro menor por peça, mas concentrado num pedido só.
Pedido mínimo: por quantidade ou por valor
O pedido mínimo existe para garantir que o lote pague o seu trabalho de preparar a produção. Dois formatos comuns:
- Por quantidade: "mínimo de 10 unidades por modelo". Bom quando cada modelo exige preparo próprio (fatiar, trocar filamento, testar).
- Por valor: "pedido mínimo de R$ 300,00, podendo misturar modelos". Mais flexível para o lojista montar vitrine variada.
Uma forma de chegar ao número: quantas unidades cabem numa placa cheia da sua impressora? Um mínimo que equivale a uma ou duas placas faz cada impressão sair completa. Quem tem várias máquinas pode distribuir o lote entre elas; veja quantas impressoras uma pessoa opera.
Desconto por volume sem perder margem
- Nunca negocie abaixo do piso. Anote o piso de cada produto e trate como regra. Lojista que só compra abaixo dele não é cliente, é custo.
- Troque desconto por contrapartida. Pagamento à vista, pedido maior, cor padrão em vez de cor especial, prazo de produção mais longo.
- Cobre à parte o que foge do padrão. Cor fora do seu estoque, embalagem com a marca do lojista ou personalização por unidade têm preço próprio. Veja encomendas personalizadas.
- Reveja a tabela quando o filamento subir. Deixe escrito que a tabela vale por um período (ex.: 60 dias) e pode ser atualizada.
- Proteja o seu varejo. Se você vende a mesma peça no seu marketplace, não venda mais barato que o preço sugerido ao lojista. Conflito de canal acaba com a parceria.
Condições por escrito e nota fiscal
Mande a tabela em PDF ou imagem com: preços por faixa, pedido mínimo, prazo de produção, forma de pagamento (por exemplo, 50% para iniciar e 50% na entrega), quem paga o frete e validade. Lojista que revende costuma precisar de nota no CNPJ e pode ser contribuinte do ICMS, o que muda os dados e a natureza de operação da nota. Confira dados do cliente para nota fiscal e leve a primeira venda para revenda ao seu contador. Para abordar lojas e empresas, veja como vender impressão 3D para empresas.
No 3D Control, o pedido de atacado entra como qualquer outro: o custo sai calculado com filamento, energia, desgaste, mão de obra e embalagem, o lucro líquido aparece no pedido e o pagamento parcial fica registrado em contas a receber até a segunda parcela cair.
Faça essa gestão sem planilha
No 3D Control cada pedido já sai com custo, preço e lucro, a fila de impressão fica organizada e o estoque de filamento se atualiza sozinho.