O que foi a RAPID + TCT 2026
A RAPID + TCT é o maior evento de manufatura aditiva e impressão 3D industrial da América do Norte, como descreve a TCT Magazine. A edição de 2026 foi em Boston, de 13 a 16 de abril. O primeiro dia e as manhãs seguintes ficaram com palestras, e a área de exposição ocupou o restante da programação, segundo a 3D ADEPT.
O pavilhão foi organizado em três vitrines: AeroDef Manufacturing (aeroespacial e defesa), StartUp e Healthcare (saúde). A defesa teve destaque, com um painel que reuniu executivos da Stratasys, da Velo3D e da Siemens e uma comandante do Exército dos EUA. Para a All3DP, a feira marcou uma mudança de foco: sai a corrida pela velocidade, entra o domínio dos materiais.
HP MJF 1200: a tecnologia industrial encolhe
O anúncio de maior peso foi da HP. Em comunicado de 14 de abril, a empresa apresentou a HP Multi Jet Fusion 1200, uma versão compacta da sua tecnologia industrial de fusão de pó (MJF), com volume de construção de 12 litros. Segundo a HP, a solução completa chega no início de 2027.
A análise da 3DPrint.com trouxe mais detalhes:
- preço abaixo de US$ 60 mil;
- funciona em tomada comum, sem exigir gás ou outra adaptação no local;
- estreia com pó de PA12 (náilon) de alta reutilização, que aproveita até 80% do pó que sobra, a cerca de US$ 100 por quilo;
- contrato de serviço estimado em cerca de 10% do valor do sistema;
- mira diretamente a Fuse 1, da Formlabs, que tem preço parecido.
A HP também anunciou um modo de alta produtividade que aumenta em 20% a produção da linha Jet Fusion 5600; a tecnologia Dual Tone, que imprime em dois tons (branco e cinza) para marcar textos e QR codes nas peças, prevista para o fim de 2026; e a venda nos EUA e no Canadá da impressora industrial de filamento IF 600 HT.
As impressoras de mesa também estavam lá
Mesmo numa feira industrial, fabricantes de impressoras de mesa ocuparam espaço e fizeram lançamentos.
Elegoo: resina grande e multicolor para a Centauri Carbon
Segundo comunicado de 16 de abril, a Elegoo fez o lançamento oficial da Jupiter 2, impressora de resina de grande formato com resolução 16K, nivelamento automático em vários pontos e gestão inteligente de resina. A empresa também estreou o CANVAS para a Centauri Carbon, sistema multicolorido, com preço ainda a anunciar na época. No mesmo texto, a Elegoo informa que passou de US$ 300 milhões em receita em 2025.
Anycubic: 16 cores e materiais de engenharia na mesa
A Anycubic, em comunicado de 15 de abril, destacou três máquinas. Os números são do fabricante:
- Kobra X: multicolor de entrada com quatro canais de filamento no próprio cabeçote. O caminho do filamento derretido tem cerca de 30 mm, o que reduziria o tempo de troca de cor e a purga em 30% a 50%, em testes internos.
- Kobra S1 Max Combo: volume de 350 × 350 × 350 mm, câmara aquecida a 65 °C, bico de 350 °C e mesa de 120 °C. Aceita PC, PA, ABS e compostos com fibra de carbono. Com até quatro módulos ACE 2 Pro, chega a 16 cores, com secagem de filamento integrada.
- Photon P1 Max: resina em grande formato, com 18,3 litros de volume, peças de até 300 mm de altura, tela de 14 polegadas 12K e cuba de 1,9 litro com controle de temperatura.
IA que gera o modelo e já manda imprimir
Outro anúncio que merece atenção veio da Meshy, plataforma de modelos 3D gerados por IA. Segundo comunicado de 14 de abril, desde 8 de abril quem cria um modelo na Meshy pode enviá-lo com um clique para o Form Now, serviço de impressão sob demanda da Formlabs. O usuário escolhe material e cor e recebe a peça em até 48 horas, produzida na fábrica da Formlabs em Massachusetts, nos EUA. A empresa diz que o processo, da geração ao pedido, leva menos de cinco minutos.
O que muda para quem vende peças impressas
Material vale mais que velocidade
Se até a indústria parou de disputar quem imprime mais rápido, o recado para você é parecido: vender só pela velocidade é difícil de sustentar. Materiais técnicos, como ABS, PA e compostos com fibra de carbono, costumam pedir câmara fechada e filamento bem seco. Não por acaso, máquinas de mesa como a Kobra S1 Max já trazem câmara aquecida e secagem integrada. Esses materiais permitem cobrar mais, desde que o preço inclua a secagem, a perda maior e o tempo de máquina. Veja quanto cobrar por impressão 3D e como guardar filamento e evitar umidade.
Resina grande abre espaço para peças maiores
A Jupiter 2 e a Photon P1 Max miram miniaturas e colecionáveis maiores e lotes. Mas a resina tem custos que o FDM não tem: álcool isopropílico, luvas, cura, ventilação e descarte adequado dos resíduos. Tudo isso precisa entrar no preço de cada peça.
Peça funcional industrial fica mais acessível para os bureaus
Uma MJF abaixo de US$ 60 mil não é máquina para quem está começando. Mas, na nossa leitura, ela facilita que empresas de serviço menores ofereçam peças de náilon com qualidade industrial. Se você vende peças técnicas, seu cliente tende a ter mais opções. Deixe claro no anúncio o que você entrega bem: prazo curto, flexibilidade em lotes pequenos e ajuste do projeto junto com o cliente.
IA com fábrica embutida é concorrente direto
A integração entre Meshy e Form Now mostra o caminho: o cliente gera o modelo e recebe a peça sem falar com ninguém. Pelo que foi divulgado, a produção sai dos EUA. Seu espaço está no atendimento local, na personalização guiada e no prazo de entrega no Brasil.
Mais opções, mais variáveis no custo
Mais cores, mais materiais e mais máquinas deixam o preço de cada peça mais difícil de calcular. Quem roda várias impressoras precisa saber qual pedido dá lucro e qual só ocupa a fila.
Faça essa gestão sem planilha
No 3D Control cada pedido já sai com custo, preço e lucro, a fila de impressão fica organizada e o estoque de filamento se atualiza sozinho.