Filamento e energia aparecem na conta de quase todo mundo. A impressora, não. Ela foi comprada uma vez, está ali na mesa, e parece que "já está paga". Só que toda máquina tem um fim: um dia ela quebra de vez, fica lenta demais para o seu volume ou precisa ser trocada por outra. Se nenhum pedido guardou uma parte do preço dela, a troca sai do seu bolso, não do negócio. Depreciação é exatamente isso: dividir o preço da máquina pelas horas que ela vai trabalhar e cobrar essa fração em cada peça.
O que entra na conta
O custo por hora da impressora tem duas partes:
- Depreciação da máquina: o quanto ela perde de valor a cada hora de uso, do dia da compra até o dia da troca.
- Peças de desgaste: itens que você troca várias vezes ao longo da vida da impressora, como bico, placa de impressão, correias, ventoinhas e tubos.
Manutenção de rotina (limpeza, lubrificação) consome mais tempo do que dinheiro. O tempo entra na sua hora de trabalho; aqui ficam as peças.
A fórmula da depreciação por hora
Depreciação por hora = (preço pago − valor de revenda) ÷ vida útil em horas
- Preço pago: o que você desembolsou, incluindo frete e acessórios que vieram junto (sistema multicor, por exemplo, se ele só serve para essa máquina).
- Valor de revenda: quanto você espera conseguir vendendo a máquina usada quando trocar. Se o plano é usar até quebrar, coloque zero.
- Vida útil em horas: quantas horas de impressão ela vai fazer até a troca. É a parte que exige estimativa honesta, e vem a seguir.
Como estimar a vida útil em horas
Não existe um número oficial de horas de vida de uma impressora 3D. O que importa é o seu plano: por quanto tempo você pretende usar a máquina e quantas horas por dia ela realmente imprime. Multiplique os dois:
Vida útil (h) = horas de impressão por dia × dias de uso por ano × anos até a troca
Dois perfis, com números hipotéticos:
| Perfil | Horas por dia | Dias por ano | Anos até a troca | Vida útil |
|---|---|---|---|---|
| Farm com fila cheia | 14 h | 300 | 2 | 8.400 h |
| Vendedor começando | 3 h | 250 | 3 | 2.250 h |
Use as horas registradas pelo fatiador ou pelo próprio firmware da máquina para saber quanto ela imprime de verdade. A maioria das pessoas superestima: lembra dos dias de fila cheia e esquece as semanas paradas.
Peças de desgaste: o custo que ninguém anota
Bico entupido, placa arranhada, correia frouxa, ventoinha barulhenta. Cada troca parece pequena, mas ao longo de milhares de horas elas somam. Para cada peça, anote quanto custa e de quantas em quantas horas você troca:
Custo por hora da peça = preço da peça ÷ horas entre trocas
Exemplo com valores hipotéticos (confira os preços reais da sua máquina e o seu histórico de trocas):
| Peça | Preço | Troca a cada | Custo por hora |
|---|---|---|---|
| Bico | R$ 60,00 | 1.000 h | R$ 0,060 |
| Placa de impressão | R$ 250,00 | 2.000 h | R$ 0,125 |
| Correias, ventoinhas e tubo | R$ 150,00 | 3.000 h | R$ 0,050 |
| Total | R$ 0,235 |
O intervalo de troca depende muito do material. Filamentos abrasivos, como os carregados com fibra de carbono ou com glitter, gastam bico de latão muito mais rápido. Se você imprime esses materiais com frequência, vale ler sobre quando usar bico endurecido e ajustar o intervalo. Uma rotina de manutenção da impressora ajuda a descobrir o intervalo real em vez de chutar.
Exemplo completo: do preço da máquina ao custo da peça
Uma impressora hipotética comprada por R$ 5.000,00, que você pretende revender por R$ 1.000,00 depois de 5.000 horas de impressão:
Depreciação = (5.000 − 1.000) ÷ 5.000 = R$ 0,80 por hora
Somando as peças de desgaste da tabela acima:
Custo da máquina por hora = 0,80 + 0,235 = R$ 1,035 ≈ R$ 1,04
Uma peça que imprime em 6 horas carrega então R$ 6,24 de máquina. Parece pouco perto do filamento? Em uma peça de 80 g, com filamento a R$ 0,12 por grama, o material dá R$ 9,60. A máquina é quase dois terços disso. Ignorar essa parte é vender abaixo do custo sem perceber, principalmente em peças demoradas e leves, como miniaturas com camada fina.
Máquina parada custa mais caro por hora
Refaça a conta com o perfil do vendedor começando, que imprime 3 horas por dia e troca a máquina em 3 anos: vida útil de 2.250 horas.
Depreciação = (5.000 − 1.000) ÷ 2.250 = R$ 1,78 por hora
A mesma impressora custa mais que o dobro por hora, porque o valor dela se espalha por menos horas. Isso tem duas consequências práticas:
- Quem imprime pouco não pode copiar o preço de quem tem farm. O custo por hora é diferente, e o preço precisa refletir isso ou o volume precisa subir.
- Comprar mais máquinas sem demanda piora a conta. Cada impressora nova parada dilui a sua depreciação por menos horas. Antes de expandir, veja se a fila atual já ocupa as máquinas que você tem. O artigo fazer upgrade ou comprar impressora ajuda nessa decisão.
Depreciação para preço não é depreciação contábil
O que este artigo calcula é um custo gerencial, para formar preço. A depreciação que aparece na contabilidade da empresa segue regras próprias, com taxas e prazos definidos pela legislação, e serve a outro propósito.
Colocando no preço
- Calcule o custo por hora da sua máquina uma vez, com depreciação e peças de desgaste.
- Multiplique pelo tempo de impressão que o fatiador informa para cada peça.
- Some com filamento, energia, mão de obra e embalagem.
- Revise a cada seis meses ou quando o seu volume mudar muito.
Se você tem máquinas diferentes, cada uma tem o seu custo por hora. No 3D Control, a depreciação da impressora é um dos itens do custo de cada pedido, junto com filamento, energia e mão de obra; se quiser só testar a conta, a calculadora de custo faz isso sem cadastro.
Faça essa gestão sem planilha
No 3D Control cada pedido já sai com custo, preço e lucro, a fila de impressão fica organizada e o estoque de filamento se atualiza sozinho.