Faturamento alto não quer dizer negócio saudável. Dá para vender R$ 8.000 num mês e sobrar quase nada, porque metade dos pedidos veio de um canal que come a margem e um quarto das mesas foi para o lixo. Cinco números resolvem a maior parte das decisões: lucro por pedido, taxa de falha, horas-máquina, ticket médio e lucro por canal. Veja como calcular cada um, com a conta aberta.
Por que medir poucos números, e sempre os mesmos
Indicador só serve se você olhar todo mês e comparar com o mês anterior. Vinte números numa planilha que ninguém abre valem menos do que cinco anotados sempre do mesmo jeito. A regra é simples: cada indicador precisa responder a uma pergunta que muda uma decisão.
| Indicador | Pergunta que responde | Decisão que muda |
|---|---|---|
| Lucro por pedido | Esse pedido valeu a pena? | Preço, produto que sai do catálogo |
| Taxa de falha | Quanto estou jogando fora? | Manutenção, material, configuração |
| Horas-máquina | As impressoras estão trabalhando? | Comprar máquina ou vender mais |
| Ticket médio | Quanto cada cliente gasta? | Kits, combos, pedido mínimo |
| Lucro por canal | Onde vale a pena vender? | Onde investir tempo e anúncio |
Lucro por pedido
É o indicador mais importante e o mais ignorado. Muita gente olha o preço de venda e o custo do filamento e acha que a diferença é lucro. Não é. O lucro de verdade desconta tudo o que o pedido consumiu:
Lucro do pedido = valor recebido − (filamento + energia + depreciação + mão de obra + embalagem + taxa da plataforma + frete pago por você)
Exemplo de um pedido de R$ 90,00 vendido em marketplace. Os valores são ilustrativos:
| Item | R$ |
|---|---|
| Valor da venda | 90,00 |
| Filamento (180 g a R$ 0,12/g, com 5% de perda) | −22,68 |
| Energia (9 h) | −1,80 |
| Depreciação da impressora (9 h a R$ 0,50/h) | −4,50 |
| Mão de obra (30 min a R$ 25/h) | −12,50 |
| Embalagem e insumos | −4,00 |
| Taxa da plataforma (exemplo: 18%) | −16,20 |
| Lucro líquido | 28,32 |
Margem de 31% sobre a venda. Sem contar mão de obra e depreciação, a conta mostraria R$ 45,32 e você acharia que ganha 50%. A diferença é o seu salário e a próxima impressora; se ainda não definiu o valor da sua hora, veja quanto cobrar pela hora de trabalho.
O custo do filamento por grama é a base de tudo (veja custo do filamento por grama), e depreciação de impressora 3D mostra como chegar ao valor da máquina por hora. Calcule o lucro de todos os pedidos, não só dos grandes: os pequenos costumam ter a pior margem.
Taxa de falha
Toda impressão que falha consome filamento, energia e, principalmente, horas de máquina que não voltam. Medir é fácil: anote cada impressão iniciada e cada uma que precisou ser refeita.
Taxa de falha = impressões que falharam ÷ impressões iniciadas × 100
Exemplo: no mês você iniciou 140 mesas e 11 falharam (descolou, entupiu, acabou o filamento, deslocou camada). Taxa de falha = 11 ÷ 140 = 7,9%.
Agora o custo. Se cada mesa falhada consumiu em média 4 h e 60 g antes de você perceber:
- Filamento: 11 × 60 g × R$ 0,12 = R$ 79,20
- Horas-máquina perdidas: 11 × 4 h = 44 h
- Depreciação dessas horas: 44 × R$ 0,50 = R$ 22,00
O dinheiro direto é pequeno. O que dói são as 44 horas: quase dois dias de uma impressora que poderiam ter virado pedido. Anote também o motivo de cada falha; em dois ou três meses aparece o padrão (uma impressora, um filamento, um modelo que sempre descola). O guia como evitar falhas na impressão 3D ajuda a atacar as causas.
Horas-máquina e ocupação
Ocupação = horas impressas com sucesso ÷ horas disponíveis × 100
Horas disponíveis não são 24 por dia: conte o tempo em que a impressora pode mesmo trabalhar, já que alguém precisa tirar a peça e iniciar a próxima. Com três impressoras, 30 dias e 18 horas úteis por dia: 3 × 30 × 18 = 1.620 horas. Se você imprimiu 870 horas com sucesso, a ocupação foi de 54%.
Lucro por hora-máquina = lucro líquido do mês ÷ horas impressas com sucesso
Se o mês fechou com R$ 3.480 de lucro líquido sobre essas 870 horas, cada hora de impressora rendeu R$ 4,00. Com ele, um chaveiro de 40 minutos e uma luminária de 12 horas ficam na mesma régua.
- Ocupação baixa (abaixo de metade): o problema é venda, não máquina. Comprar impressora nova agora só aumenta o custo fixo.
- Ocupação alta e prazos estourando: aí sim faz sentido pensar em mais máquinas. Veja fazer upgrade ou comprar impressora.
- Lucro por hora baixo: reveja o preço dos produtos longos ou troque o mix por peças que rendem mais por hora.
Ticket médio
Ticket médio = faturamento do período ÷ número de pedidos
Com R$ 7.200 em 160 pedidos, o ticket médio foi de R$ 45,00. Ele importa porque boa parte do custo de um pedido é fixa: atendimento, separação, embalagem, etiqueta. Subir o ticket dilui esse custo.
Formas práticas de aumentar o ticket sem baixar preço:
- Kits: três suportes de fone em vez de um, com preço por unidade um pouco menor.
- Pedido mínimo em encomendas: para personalizados, um valor mínimo evita pedidos que dão mais trabalho do que lucro.
Lucro por canal
O mesmo produto dá lucros bem diferentes dependendo de onde foi vendido. Cada canal tem sua taxa, seu frete, seu tempo de atendimento. Por isso, some o lucro líquido dos pedidos de cada canal separadamente. Exemplo ilustrativo de um mês:
| Canal | Pedidos | Faturamento | Lucro líquido | Margem |
|---|---|---|---|---|
| Marketplace A | 90 | R$ 3.600 | R$ 790 | 22% |
| Marketplace B | 40 | R$ 1.400 | R$ 250 | 18% |
| Instagram e WhatsApp | 22 | R$ 1.650 | R$ 620 | 38% |
| Feira | 8 | R$ 550 | R$ 140 | 25% |
O marketplace A traz mais dinheiro no total. A venda direta tem a melhor margem, mas cada pedido exige conversa, orçamento e cobrança; some esse tempo à mão de obra antes de concluir. A feira precisa descontar inscrição e transporte. As taxas de cada marketplace mudam e dependem do tipo de anúncio: confira na sua conta e veja como levar isso ao preço em preço com taxa de marketplace.
Como medir na prática
O segredo é registrar no momento, não reconstruir no fim do mês. Para cada pedido, anote:
- data, canal e valor recebido;
- gramas, horas de impressão e material de cada item;
- tempo de mão de obra (ao menos uma estimativa por produto);
- embalagem, taxa e frete pagos por você;
- falhas que aconteceram naquele pedido.
No fim do mês, reserve meia hora para fechar os cinco números e compará-los com o mês anterior. Uma variação isolada não diz muito; três meses na mesma direção dizem.
Faça essa gestão sem planilha
No 3D Control cada pedido já sai com custo, preço e lucro, a fila de impressão fica organizada e o estoque de filamento se atualiza sozinho.