Na hora de emitir a nota, dois campos confundem quem está começando: a natureza de operação e o CFOP. Os dois dizem que tipo de operação aquela nota registra, e escolher errado pode gerar rejeição, imposto calculado errado ou dor de cabeça com o contador. A boa notícia: para quem vende peça impressa, poucos códigos resolvem quase todas as vendas.
O que é a natureza de operação
Na NF-e, a natureza de operação é a descrição, em texto, do que está acontecendo: "Venda de produção do estabelecimento", "Venda de mercadoria", "Devolução de compra", "Remessa para conserto". Ela aparece no DANFE, logo no topo.
Nos emissores, a natureza virou mais que um texto: é um modelo que junta a descrição, o CFOP e as regras de imposto. No Bling, por exemplo, cada natureza tem regras de tributação, e é nelas que o CFOP é definido. Você escolhe a natureza certa, e o emissor preenche o resto.
O que é o CFOP
O CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) tem 4 dígitos e fica em cada item da nota. A tabela oficial está no Convênio s/nº de 1970, mantido pelo Confaz. O primeiro dígito diz o sentido e o destino da operação:
| Primeiro dígito | Significa |
|---|---|
| 1, 2, 3 | Entradas (compras e devoluções recebidas): do estado, de outro estado, do exterior |
| 5 | Saída para destinatário no mesmo estado |
| 6 | Saída para destinatário em outro estado |
| 7 | Saída para o exterior |
Como o CFOP fica no item, uma mesma nota pode ter itens com códigos diferentes, por exemplo uma peça que você fabricou e um acessório que você comprou pronto para revender.
Os CFOPs de venda mais comuns
| CFOP | Descrição oficial | Uso típico na impressão 3D |
|---|---|---|
| 5.101 | Venda de produção do estabelecimento | Peça que você imprimiu, vendida no seu estado |
| 5.102 | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros | Item comprado pronto e revendido sem industrialização, no seu estado |
| 6.101 | Venda de produção do estabelecimento | Peça que você imprimiu, vendida para contribuinte de outro estado |
| 6.102 | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros | Revenda para contribuinte de outro estado |
| 6.107 | Venda de produção do estabelecimento, destinada a não contribuinte | Peça que você imprimiu, vendida para consumidor de outro estado |
| 6.108 | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, destinada a não contribuinte | Revenda para consumidor de outro estado |
Produção própria ou revenda: 5.101 ou 5.102
A diferença está em quem fez o produto. Pela descrição oficial, o 5.101 é para produtos industrializados ou produzidos pelo próprio estabelecimento. O 5.102 é para mercadorias compradas de terceiros que "não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento".
A Receita Federal já tratou a impressão 3D como industrialização, na modalidade transformação (Solução de Consulta Cosit 97/2019). Então, em regra, a peça que sai da sua impressora é produção própria. Alguns exemplos:
- Vaso impresso e vendido: produção própria (5.101 no estado).
- Rolo de filamento comprado e revendido lacrado: revenda (5.102).
- Kit com peça impressa e ímã comprado pronto: se sair em itens separados, cada um com o seu CFOP; se o ímã for montado na peça, o conjunto passa a ser produto seu. Confirme com o contador.
A escolha também conversa com a atividade registrada no CNPJ. Se você só tem atividade de comércio e fabrica peças, ou o contrário, vale revisar com o contador. Veja MEI para impressão 3D e Simples Nacional para impressão 3D.
Venda para consumidor final de outro estado
É o caso mais comum de quem vende pela internet: pessoa física, sem inscrição estadual, em outro estado. A tabela oficial diz, na descrição do 6.107 e do 6.108, que "quaisquer operações de venda destinadas a não contribuintes deverão ser classificadas neste código". Por isso a orientação mais comum é:
- peça que você fabricou → 6.107;
- mercadoria de terceiros revendida → 6.108.
A SEFAZ de São Paulo, por exemplo, já respondeu em consulta que as vendas a não contribuinte de outro estado usam esses códigos. Mesmo assim, há sistemas e estados com orientações diferentes, e a nota também tem campos que indicam se o destinatário é consumidor final e se é contribuinte. Esses campos e o CFOP precisam contar a mesma história, ou a SEFAZ pode rejeitar a nota.
E o DIFAL?
Desde a Emenda Constitucional 87/2015, na venda para consumidor final não contribuinte de outro estado, o ICMS é dividido entre o estado de origem e o de destino por meio do diferencial de alíquotas (DIFAL). Para quem é do Simples Nacional, a situação é outra: a cláusula do Convênio ICMS 93/2015 que obrigava essas empresas a recolher o DIFAL foi declarada inconstitucional pelo STF, e a SEFAZ-SP, em consulta de 2025, orientou que o optante do Simples recolhe apenas o imposto da operação interestadual. As regras seguem sendo discutidas, então esse é um ponto obrigatório na conversa com o contador.
Operações que não são venda
Nem toda nota que sai da sua empresa é venda. Devolução, remessa para conserto, troca, amostra e brinde têm CFOPs e naturezas próprios. Não use a natureza de venda para essas situações: o imposto sai calculado errado e o faturamento fica inflado. Se você revende produto sujeito a substituição tributária, também existe um código específico (5.405, na venda dentro do estado como contribuinte substituído).
Como deixar isso configurado
- Liste as suas operações: venda de produção no estado, fora do estado para empresa, fora do estado para consumidor, revenda, devolução.
- Peça ao contador o CFOP e as regras de imposto de cada uma.
- Cadastre as naturezas no emissor. No Bling, uma mesma natureza pode ter regras com CFOP para dentro e para fora do estado. Se o CFOP mudar, as notas já salvas não mudam sozinhas.
- Teste em homologação uma venda de cada tipo antes de emitir em produção.
No 3D Control, você escolhe nas configurações da integração qual natureza de operação do seu Bling vale para as notas emitidas pelos pedidos, e ela aparece na tela de conferência antes de cada emissão. O passo a passo está em integração com o Bling e na página da nota fiscal pelo Bling.
Faça essa gestão sem planilha
No 3D Control cada pedido já sai com custo, preço e lucro, a fila de impressão fica organizada e o estoque de filamento se atualiza sozinho.